pensamentos

Vai passar.

Setembro 22, 2015

O que mais me atormenta é que os amigos e familiares
usam o mesmo bordão para me acalmar:
– Vai passar.
Não é um conselho alegre. Não me tranquiliza saber que terminaremos.
É uma advertência que me desespera. Não gostaria que passasse.
Carpinejar. Vai passar.

Sou dessas que vive nos extremos, hora estou muito bem hora estou muito mal. Nunca foi fácil lidar com tudo, coisas aleatórias ocorridas em momentos aleatórios da minha vida me deixaram muito bem ou me deixaram muito mal.

Os amores e desamores foram os que mais alvoraçaram as coisas, confesso. Essa vida de extremos me fez amar demais e sofrer demais. Fatos pequenos, me fizeram vir ao chão enquanto grandes descobertas me fizeram sorrir. Isso parece coisa de gente doida e talvez seja, mas comigo é assim. Graças aos extremos nunca pensei que algo fosse acabar, como sempre fui do alto ao baixo e depois de volta ao alto o fim não era um conhecido meu.

Mas a vida prega peças e as coisas acabam. Nessas horas o vai passar se torna lema de todos que estão próximos e isso sempre me causou inquietação, ora, depois de tudo que a gente construiu vou ter que esquecer, me refazer para depois me envolver com outro alguém e passar por tudo isso até não sei mais quando? Eu vou ter que esquecer mesmo? O problema do vai passar é que ele implica no esquecimento. A dor vai passar porque você vai esquecer. Essa vontade de morrer vai passar porque você vai encontrar outra razão para viver depois que esquecer tudo o que passou.

Sempre dizem que a gente precisa conhecer o amor errado para conseguir identificar quando chegar o certo, que precisamos perder para aprender a valorizar, vários discursos sobre perda e dor são ditos como os responsáveis para que se alcance o final feliz. Pessoas normais sofrem com isso, algumas se isolam, outras se tornam desgraçadas, mas todos seguem em frente e esquecem, deixam passar aquilo. Ora, eu não acho certo isso, é doloroso saber que tudo vai se apagar, que o que hoje tem importância amanhã ou depois nem será lembrado, esse apagar de memórias não me parece justo para nenhum dos lados.

Para que deixar passar aquele frio na barriga que a pessoa te causa? Para que esquecer quais os discos favoritos daquela pessoa? Ou como era adorável quando ele se sujava com comida e você o ajudava?

Sempre que penso nisso uma nova corrente de lágrimas cai. Eu vou esquecer tudo, vou esquecer o quanto o amo, o quanto aqueles sentimentos bons dentro de mim me fazem bem, as brigas pelos motivos que hoje são os mais bobos do mundo vão perder toda a importância que tiveram, as manias irritantes dele vão se tornar irrelevantes e talvez só lembre delas quando alguém comentar que conhece alguém que faz tal coisa e eu diga ‘ah, conheci alguém que também fazia isso’. Dói saber que vai passar.

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