pensamentos

Porquê eu não sou feminista

Maio 20, 2015

Certa vez uma colega me perguntou se eu era feminista, sem pensar duas vezes lhe disse que não, que era a favor da igualdade entre gêneros, mas não me declarava feminista. Isso aconteceu alguns meses atrás e hoje a lembrança de tal fato veio a tona novamente.

Estava em uma palestra sobre transsexualismo e após a abertura das perguntas um jovem mostrou suas inquietudes sobre a posição do homem branco e hétero dentro do feminismo e perguntou a palestrante qual a ideia dela sobre o assunto, a palestrante, basicamente, se mostrou neutra sobre a questão, em seguida diversas mãozinhas se levantaram e começou uma verdadeira caça as bruxas ao jovem, os argumentos usados foram os mais diversos e nada inovadores comparados as discussões que acontecem sobre esse tema, após um tempo o jovem conseguiu falar novamente e disse “eu me senti oprimido, vim aqui para te ouvir e procurar formas de ajudar o movimento, mas me senti oprimido”. Voltando para casa essa situação não saia da minha cabeça, o que eu tenho de diferente dele? Não sou de família rica, mas estudei em escolas particulares a maior parte da vida, sempre fui tratada com igualdade pelo meus pais, hoje tenho mais liberdade que meu irmão, nunca membro algum da minha família se mostrou contra ou duvidou da minha capacidade de conquistar algo, não tenho medo de sair nas ruas em determinados horários, tenho noção da minha capacidade e nunca fiquei de lado ou fui segunda escolha em comparação a um homem, em tese, tenho todos os benefícios de um homem branco e hétero, logo, eu não estou inclusa entre aquilo que o movimento defende. Eu não consigo me ver no movimento porque ele não me inclui e a cada palavra jogada com ódio em relação a quem não faz parte do que o grupo defende ele me exclui ainda mais.

Eu entendo que o movimento possui os mais diversos membros e a opinião de alguns não reflete o geral, mas a cada dia vejo mais e mais ideias de ódio sendo disseminadas em rodas de conversa, as falas sobre a substituição do homem pela mulher na escala de poder se tornam mais frequentes e isso me assusta. No momento em que minha colega me perguntou se eu era feminista respondi que não por não me ver na imagem que o movimento passava, hoje eu não me declaro feminista porque além de não me sentir representada eu tenho medo do feminismo.

Não pode-se deixar de lado ou negar as mudanças que o feminismo causou no mundo e a importância dele para alguns países, sim, ainda existem mulheres que são extremamente reprimidas, sim, ainda se precisa lutar muito para que mulheres tenham as minímas condições de vida, sim, o feminismo como meio de proteção da mulher ainda é necessário e eu acredito nesse feminismo, eu acredito nas pessoas que lutam por isso, defendo que todos devem ter oportunidades e tratamento iguais. Entretanto vejo nascer uma barreira entre esse feminismo e o feminismo disseminado nas redes sociais e me afasto a cada dia do movimento. Adoraria poder fazer mais, mas eu não consigo dialogar com extremistas, não me sinto bem próximo a pessoas que tem visões tão fechadas do mundo, então me afasto e assisto com um gosto amargo na boca os rumos que o movimento toma e declaro que não sou feminista.

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